Não sei poetizar meu querer quando ele é simples. Quando quero morango com chocolate, quero morango com chocolate. Não sei poetizar meu querer quando ele é simplesmente euevocê, assim juntinhos. Poderia poetizar o seu sorriso. Aquele leve de canto de boca quando você está pensando nela, imerso em imensas possibilidades de felicidade, que uma pena, não é comigo. Poderia poetizar sua mania de bater os dedo indicador na mesinha quando está insatisfeito com alguma coisa. Como seus olhos brilham ao olhar para ela e não para mim. Poderia poetizar a expressão que eu fiz quando eu te vi pela primeira vez e te desejei. Desejei que você amasse a mim e não a ela que só te fez sofrer. Desejei que você sussurrasse no meu ouvido com aquela sua voz calma e mansa que me queria e que tudo ia ficar bem, que eu poderia contar com você. Mas não foi isso o que aconteceu. Me tornei sua amiga. Confidente. E pior, você me conta tudo sobre ela. Podes imaginar a minha dor? Chamar de amigo alguém que eu queria chamar de amor? Poderia até poetizar minha dor e ser a vítima, mas como não tenho vocação para ser a mocinha das histórias, melhor deixar para lá. Sempre sou a coadjuvante das histórias. Aquela amiga da noiva. Aquela que tropeça, que fazem os outros rirem. Nunca sou a mocinha e nem por ousadia a vilã. Sou a que usa a inteligência para esconder os quilinhos a mais e sou a prova que isso não dá certo. Queria poder encontrar as palavras exatas para poetizar e ser piegas, mas ainda não consigo deixar meus sentimentos flutuarem dentro de mim como águas desordenadas. Ainda sinto a necessidade de controlar tudo. Sinto a necessidade automática de bloquear qualquer tipo de sentimento que cresça em mim. Queria poetizar, mas parafraseando nossa Cássia Eller ”sou poeta e não aprendi a amar.” Mesmo assim continuo. Aprendi que se você não vive a vida, ela te vive da mesma forma. Não adianta fechar a porta na cara dela, ela escancara e te arrebenta da mesma forma. Queria poetizar aos outros ”nós”. Euevocê. Um eu e você que só existe nos meus escritos, no meu íntimo desejo. Gosto de te imaginar poetizando aos teus amigos como você ama o som da minha risada, a cor dos meus olhos, meu tique de mexer no cabelo. Mas ao contrário do que eu desejo, você poetiza os olhos verdes dela, a falta de amor por você e quanto você não aguenta mais esperar por ela, mas ao mesmo tempo é fraco demais para deixar ela. Apesar de todas as confirmações que você é apenas o brinquedo dela. Mas se você quer se o brinquedo dela, que seja. Apesar de todo o meu sentimento, aprendi nessa vida que eu valho mais que qualquer coisa. Não, não estou sendo egoísta. Apenas cansei em dar murro em ponta de faca. Cansei de cicatrizes bobas. Apesar de toda a minha poesia, ainda tento ter um amor, amor-próprio. Quero nós dois deitados lendo, jogando video game, comendo pizza fria e tomando nesquik. Mas acima de tudo quero alguém que me ame, mas do que eu tento amar a mim mesma. Pode ser difícil, mas sei que esse dia chega. Se não chegar, bom, valeu a pena tentar. Não te chamo mais, não tem peço para ficar. Agora só espero que você perceba o quanto desejo euevocê e que apenas venha. Enquanto tento me conformar com ainda-não-é-a-nossa-hora espero não me perder no meio do caminho.
- Luiza em ”Ana”, o nosso distinto querer
(Source: sabedorias, via atitud)
(via icanbeyourcocaine)